As incertezas do universitário que tiram o sono
Este texto foi escrito originalmente em dezembro de 2017.
A época de festanças do fim de
ano serve bastante para reunir a família e parentes, tias que você nunca ouviu
falar, mas nessa única data que se encontram é quase uma obrigação passar o
relatório de toda a sua vida acadêmica. Por que é o que importa, não é? Quem
vai ser, o que vai conseguir da vida. Será que vai conseguir ser alguém? E do
canto da mesa do jantar, é possível ouvir de um primo que “vai fazer mestrado
ano que vem, mas quem sabe um intercâmbio, ah está tudo programado.” Parabéns,
primo, essas coisas não são fáceis.
Mas do lado de cá, parecem
impossíveis. Não é ser pessimista, realista talvez. “Não posso deixar meus pais
saberem dessas inseguranças, eles investem tanto em mim.” E a culpa desses
sentimentos retorna para dentro de si. Eles não precisam saber que está
inseguro, que não tem nada planejado para depois da faculdade, que não sabe se
vai arrumar emprego. Todos eles passaram por isso, certo? Então é normal. Mas
será que vai demorar muito para essa angústia sair de dentro? É sufocante, a
gente perde a fome, se isola, nem liga a TV. Por que precisamos achar a fórmula
para ser um adulto de sucesso, desses que viaja pelo mundo antes dos trinta
anos, que paga a viagem da mãe e jantam fora todo final de semana. É isso que precisamos
ansiar, certo?
Só de pensar nisso tudo, dá
vontade de fechar os olhos com as mãos no rosto. Seu primo vai conseguir isso,
já está com a viagem marcada, e você? Será que tem o suficiente para competir
no mercado de trabalho? Conversa com os colegas da faculdade, “não estou preparada
para me formar” “vou fazer outro curso, desse só vou pegar o canudo” “espero
achar um emprego antes de defender” “vou ficar por aqui, não sei bem o que
fazer”. E eu, o que vou fazer?
Desculpa te angustiar com
esses parágrafos, leitor. Aqui vão algumas dicas de como ser firme e não ficar
louco.
1)
Por incrível que pareça, tudo é uma questão de
tempo. As coisas estão difíceis agora, mas você já passou por outras piores.
Situações angustiantes aconteceram, tão pesadas que você pensou em desistir de
tudo, jogar tudo pro alto. Mas você persistiu e sobreviveu a tudo aquilo,
parabéns.
2)
Organização vai ser importante para todas as
fases de sua vida a partir de agora. Não deixe as coisas para última hora, não
faça de qualquer jeito, gaste tempo e invista nisso. Chegar atrasado só é
engraçado na internet. Se não chegar a tempo, você perde.
3)
Aprenda outra língua, ou leia mais, estude. Nós
somos movidos pela curiosidade, mesmice não é pra agora. Então assista mais
filmes e escute bandas novas. Estimule seu cérebro a sempre buscar mais.
4)
Não se prenda a comida, ela pode ser perigosa.
O açúcar e a gordura não podem ser sua fonte de felicidade. Esses dois, em
excesso, te deixam sonolento e sem auto estima, e como consequência atraem
pensamentos depressivos. Consuma com moderação.
5)
Converse com quem te faz bem. Se ela visualizou
e não respondeu, não guarde mágoas, fale com outra pessoa que sabe ter um bom
papo. Às vezes, o que salva a gente de noites escuras e tristes são pessoas que
sabem ouvir e puxar assunto.
O futuro é realmente algo
incerto, mas não esqueça que você está vivendo o agora. Então sorria mais, saia
mais, se conheça. Aprenda a ficar sozinho também, sem depender de ninguém para
estar bem consigo mesmo. Essa é só mais uma decaída (a famosa bad) de outras
mais que tivemos em 2017. Espero que ano que vem, neste mesmo mês, possamos
olhar satisfeitos para trás com o pensamento de “mulher, que drama foi aquele”.
Um bom começo de 2018 para você.


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